
A advogada Vanessa Maria Vilches Lombardi, de Curitiba, usou
palavrões para justificar a ação que impetrou em causa própria contra a
empresa Telefônica Brasil, responsável pela Vivo, na segunda-feira (24).
"Ação de foda-se a Vivo, não pago porra nenhuma e ainda quero uma
indenização pela palhaçada", escreveu a advogada.
Diante da repercussão
nas redes sociais, ela pediu o arquivamento da ação, na terça-feira
(25).
O juiz Rodrigo Domingos Peluso Junior, do 3º Juizado Cível de
Curitiba, ressaltou, em despacho da quarta-feira (26), que a advogada
faltou "com o princípio processual de urbanidade e respeito com a parte
adversa e com o Judiciário, utilizando-se de vernáculo inapropriado para
um processo judicial".
O magistrado determinou o envio de cópias do
processo ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná
(OAB/PR) e pediu que se tome "as providências que entender cabível". A
OAB/PR afirmou que "recebendo oficialmente a representação do juiz e
constatando a autoria de infração ética, poderá instaurar processo
disciplinar contra a advogada".
Vanessa afirmou, ao G1, que foi vítima
do "péssimo atendimento por parte da empresa de telefonia". "Realmente
fui vítima, assim como milhares de consumidores, de péssimo atendimento
por parte de empresa de telefonia; assim, como bem demonstram as já
milhares de matérias jornalísticas sobre o tema, as empresas de
telefonia de nosso país não sabem prestar um serviço apropriado",
alegou.
A advogada afirmou que se irritou com o ocorrido e, quando
redigiu a peça, acabou usando os termos inapropriados. "Na hora de fazer
a revisão, meu escritório prestou mais atenção na redação da peça
(fatos, direito e pedido) do que no título da peça. Ou seja, passou
desapercebido o desabafo que havia. Porém, uma vez verificado o erro, de
imediato foi solicitado o arquivamento do mesmo, impedindo assim
qualquer citação e incômodo". A reportagem procurou a Vivo, mas, até a
publicação desta matéria, a empresa não se pronunciou sobre o assunto.
Veja as justificativas da advogada, na íntegra:
- Realmente fui vítima, assim como milhares de consumidores, de péssimo atendimento por parte de empresa de telefonia;
- Realmente fui vítima, assim como milhares de consumidores, de péssimo atendimento por parte de empresa de telefonia;
-
Assim como bem demonstram as já milhares de matérias jornalísticas
sobre o tema, as empresas de telefonia de nosso país não sabem prestar
um serviço apropriado;
- As empresas de telefonia são
as campeãs de reclamações nos mais diversos órgãos de defesa do
consumidor em nosso país, e a ANATEL sequer consegue dar conta do volume
de reclamações que recebe;
- Irritada com o ocorrido
comigo, na hora de redigir a peça e, em momento de nervosismo, usei de
termos não apropriados para me referir a empresa de telefonia;
-
Na hora de fazer a revisão, meu escritório prestou mais atenção na
redação da peça (fatos, direito e pedido), do que no título da peça, ou
seja, passou desapercebido o desabafo que havia na peça, porém uma vez
verificado o erro, de imediato foi solicitado o arquivamento do mesmo,
impedindo assim qualquer citação e incômodo;
- Não é surpresa para ninguém, o quanto os milhões de usuários dos serviços de telefonia estão irritados com as empresas;
-
É uma opinião privada, compartilhada por quase a totalidade dos
usuários de telefonia, que infelizmente, por erro de revisão, saiu da
intimidade do escritório;
- Cumpre informar que em
quase 16 anos de trabalho jurídico e, milhares de peças processuais,
esta é a primeira vez que isso ocorre;
- Não foi o primeiro escritório a cometer um equívoco, e com toda certeza não será o último.






