
"Eu só tenho a dizer que eu
sinto muito por esse meu ex-noivo, espero que ele tenha recuperado a
função dele e desejo tudo de bom para ele. Eu falo que desejo para mim o
que desejo para ele." A declaração foi dada durante uma entrevista à TV
Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte, veiculada nesta
quarta-feira (3).
A urologista, que voltou a clinicar em Minas Gerais,
afirmou ser inocente da acusação contra ela. A mulher culpou o pai, que
cumpre prisão domiciliar por problemas de saúde, e uma outra pessoa,
cujo nome não revelou. A mulher, que passa o dia fora da prisão, mas tem
de retornar ao fim do dia, disse ter sido ameaçada de morte por esse
homem.
"Meu pai foi um dos mandantes, só que o outro, o
principal, fez tudo. Não é da minha família. E é isso que tem de ser
conversado com meu advogado, porque eu estou sofrendo ameaças dessas
pessoas desde quando eu entrei na cadeia. Essa pessoa ficou sabendo que
eu estava aqui. E ela começou a me ameaçar por medo de a identidade dela
ser revelada", declarou. Atualmente, ela cumpre a pena na penitenciária
Estevão Pinto, situada em Belo Horizonte.
O UOL não conseguiu contato com o advogado de defesa da urologista.
A médica disse ainda que não havia casamento marcado entre ela e o
ex-noivo, cujo cancelamento supostamente feito pelo homem teria ensejado
as retaliações contra ele. Apesar de ter citado a vítima como sendo seu
ex-noivo, no momento em que se desculpou, a mulher negou o noivado com
ele.
"Na verdade, ele nunca foi meu noivo. Na época em que a
gente começou a namorar, eu tinha 19 anos. Meu pai jamais me deixaria
casar antes de ser alguém na vida, ou seja, antes de eu me formar e ser
alguém. Nunca existiu essa história de casamento,", afirmou.
A
reportagem da emissora de TV afirmou que a médica estaria se
relacionando com outro homem, que seria seu noivo atual. Ainda de acordo
com a entrevista, a médica se recusou a detalhar a motivação para o
crime. "Eu não tenho coragem de falar o que aconteceu. Foi muito pior
que isso", limitou-se a dizer.
Relembre o caso
O crime
ocorreu em Juiz de Fora (a 278 km de Belo Horizonte), em 2002. A médica
foi condenada em abril de 2009, mas não foi presa imediatamente em
razão dos diversos recursos impetrados pelos seus advogados.
Ela
só veio a ser presa em abril deste ano, em Pirassununga (a 211 km de
São Paulo), após expedição de mandado da prisão pela Justiça.
De
acordo com o processo, à época do rompimento do casamento, a médica
teria se revoltado contra o homem e passado a ameaçá-lo. Ele teve sua
casa e um automóvel incendiados.
Em seguida, ainda de acordo com
o processo, Myriam, com a ajuda do pai, teria contratado dois homens
para mutilar o ex-noivo. Devido a um AVC (Acidente Vascular Cerebral)
durante o julgamento, o pai cumpre pena em regime domiciliar.
Segundo o Ministério Público, no dia do crime, a vítima foi dominada por
dois homens dentro do apartamento onde morava. Conforme a denúncia, os
autores da agressão se passaram por técnicos de uma empresa de
telefonia. O irmão da vítima também foi agredido.
O MP disse que
os dois foram dominados, amarrados e ainda teriam sido obrigados a
cheirar éter. Parte do pênis da vítima foi cortada e levada como prova
da execução do serviço. Um dos executores está preso.
"Os
executores usaram uma faca para cortar o pênis do rapaz e fizeram
questão de dizer que estavam agindo a mando da ex-noiva e do pai dela na
ocasião", informou a Polícia Civil de Minas Gerais à época da prisão da
médica. A vítima sobreviveu e vive anonimamente.
Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte






