
O ministro italiano da Administração Interna
disse hoje (19) que o governo vai anular as transcrições para o registo
civil interno dos casamentos de homossexuais celebrados no exterior. "Eu
anulo os registros. Na Itália, não está prevista a possibilidade de um
casal gay contrair matrimônio, logo não se pode registrar os casamentos
realizados no estrangeiro", afirmou Angelino Alfano.
O
presidente da Câmara Municipal de Roma, Ignazio Marino, registrou no
sábado, durante uma cerimônia na sede do Legislativo, a transcrição de
16 casamentos de homens e mulheres homossexuais, realizados fora do
país, apesar de a lei italiana não permitir esse tipo de contrato.
As
assinaturas de Ignazio Marino envolvidas naquela cerimônia "são só um
autógrafo e não têm valor jurídico", acrescentou Angelino Alfano. Para
ele, não é possível que os casais homossexuais se casem em outros países
e pretendam que o seu matrimônio seja registrado na Itália.
O
responsável governamental disse estar disponível para analisar normas
que ampliem os direitos dos casais homossexuais, mas reiterou sua
oposição a qualquer tipo de matrimônio entre pares do mesmo sexo ou à
adoção.
Apesar da proibição do ministro e do
anúncio do delegado do Governo em Roma, Giuseppe Pecoraro, de que os
atos seriam anulados, o presidente da Câmara da capital italiana manteve
a decisão e fez os registros dos 16 casais, 11 de homens e cinco de
mulheres.
A instância local da Igreja Católica
emitiu um comunicado em que define os registros como uma "decisão
ideológica" e "uma afronta institucional", enquanto a Conferência
Episcopal italiana definiu o gesto como "somente uma mistificação em
nível midiático e político".






