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Em 2015, Brasil não terá nenhum governador declarado negro

"Um governante assumir a sua negritude é um belo sinal que ele pode fazer para a sociedade”. Apesar da frase dita pelo deputado federal Vicentinho (PT), neste ano eleito o primeiro negro líder da bancada de um partido na Câmara na história -, dos 26 Estados do Brasil e o Distrito Federal que comemoram o dia da Consciência Negra nesta quinta-feira, em nenhum deles a população verá um governador negro discursar sobre a importância da data.
Na eleição deste ano, não houve um eleito para comandar algum dos Estados que se declarou “preto” - classificação usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) - ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apenas seis se disseram “pardos”. “As campanhas estão cada vez mais caras e os partidos buscam candidatos que conseguem angariar recursos.

Os negros, em geral, estão nas camadas mais pobres e não têm esse poder”, diz o professor da ECA/USP e coordenador do coletivo de ativistas anti-raciais Quilombação, Dennis de Oliveira, para quem o fim do financiamento das campanhas por empresas contribuiria para o equilíbrio dessa balança. 

Dennis acha que o sistema dificulta a inserção do negro na política, e defende a cota nas candidaturas proporcionais – vereador, deputado estadual e federal. Entre os parlamentares, os negros estão presentes, mas são minoria. 
Nesta eleição, 81 dos deputados federais eleitos se autodeclararam negros e 22 pretos, ante um total de 513 cadeiras. 

Além de mudança na estrutura política, para o professor, o movimento negro também precisa repensar seu papel dentro das instâncias políticas. “O movimento negro tem uma relação muito complicada com os partidos.

Tem que repensar o que é movimento, o que é partido. Muitos militantes acabam usando a base de apoio que o movimento proporciona, mas se elegem e não têm uma política realmente ligada às reivindicações do grupo. 

Acabam representando ações individuais, não de um coletivo”, disse. Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente segue um raciocínio parecido ao do professor. “Me parece que o negro não tem toda a profundidade, todo um reconhecimento da importância da representação política. 

Se não se organizar, nunca vai chegar perto do butim, digamos assim. Porque se não ganhar esse espaço, não vai receber”, diz José.


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