
A polêmica envolvendo o comercial pró-gay da marca O Boticário foi um
dos assuntos mais buscados por brasileiros no Google nesta terça-feira.
O vídeo da perfumaria, em que casais hetero e homossexuais comemoram o
Dia dos Namorados, chegou a quase três milhões de visualizações no
YouTube.
Num primeiro momento, o número de pessoas que clicaram em “não
gostei” na avaliação do site era maior que o “gostei”. Contudo,
aparentemente depois que um boicote à marca foi defendido por um segmento dos evangélicos, a tendência se inverteu.
O pastor Silas Malafaia foi a público criticar a empresa.
No vídeo, ele justifica “Existe uma gama de empresas fazendo propaganda
da relação gay. Eu sou contra, é um direito meu. Sou contra e estou
aqui para dizer para evangélicos, para católicos, para espíritas, para
ateus: gente que acredita na família milenar, (…) homem, mulher e sua
prole. (…) Tenho o direito de preservar macho e fêmea, porque essa é a
história da civilização humana”.
Na internet, como é costume, surgiram dezenas de piadas sobre o
assunto, que tomou grande proporção. Embates nas redes sociais mostram
que somente quem ganhou com a campanha contrária foi a própria marca. Na
maioria dos “memes” o logotipo da marca fica bem visível.
Por exemplo, o vídeo agora tem mais de 350 mil “gostei”, quase o
dobro dos 180 mil “não gostei”. Muita gente que não necessariamente
compra no Boticário partiu para o ataque justamente por ser uma maneira
de se opor aos evangélicos.
Como era esperado, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que comumente
critica os evangélicos afirmou que o “ódio de fundamentalistas
religiosos não descansa nem numa data em que a lei é, literalmente, o
amor”.
Segundo a revista Veja,
no Twitter as menções favoráveis ao Boticário totalizaram 60.542,
enquanto apenas 5.905 a Malafaia. A revista ainda calcula que o número
de vezes que os usuários foram expostos a postagens sobre o tema, o
Boticário alcançou 180 milhões contra 17 milhões de Malafaia.
Embora
o pastor Silas não tenha sido o único a criticar a marca, mais
uma vez tornou-se símbolo de intolerância. Em resposta a Veja, Malafaia
esclarece que “não perdeu porque não vende nada”, enfatizando que o
fato do vídeo ter milhões de visualizações não significa que todos
gostaram. De certa maneira, repete-se ao que ocorreu quando o deputado
Marco Feliciano pediu boicote à Natura, por causa da novela Babilônia.
Segundo um estudo da JWT Brasil,
ao mesmo tempo em que os brasileiros não se importam com anúncios para
homossexuais, acreditam que as outras pessoas não gostariam de vê-los.
Cerca de 77% dos entrevistados afirmam não se importar se as pessoas em
anúncios são gays ou heterossexuais, enquanto 75%, mesmo não se
importando, acham que a maioria das pessoas preferiria não ver casais do
mesmo sexo em peças publicitárias.
Ao mesmo tempo, na internet – espelho da sociedade atual -, existem
centenas de mensagens de evangélicos que afirmam apoiar a marca e
questionam se o boicote e as acusações não contradizem a mensagem de
Jesus, que está centrada em amor inclusive os “inimigos”.
Em entrevista ao IG,
o pastor evangélico Samuel de Lima acaba representando uma espécie de
neutralidade, que parece ter sido a postura dos evangélicos. “Não vou
boicotar a Boticário. Tendo dito isto, espero que aqueles que discordam
do Silas Malafaia, também respeitem seu direito de fazer o boicote”,
escreveu.
O fato é que os boicotes promovidos por evangélicos ou instituições
conservadoras ao redor do mundo geralmente acabam gerando uma reação
contrária. É o “boicote ao boicote”. Isso já foi visto em filmes de
Hollywood, series de televisão e peças publicitárias. A grande maioria
das marcas hoje em dia procura se apresentar como politicamente correta,
apoiando publicamente a igualdade dos homossexuais.






