
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL) acusa aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de “retaliação” pelo fato de o PSOL ter sido o autor do pedido de cassação do mandato do peemedebista, acusado de ter mentido à CPI da Petrobras quando disse que não possui contas bancárias no exterior. Wyllys, que é baiano, mas foi eleito pelo Rio de Janeiro, responderá no Conselho de Ética a um pedido de cassação do mandato, protocolado pelo PSD.
O motivo foi por conta de um bate-boca entre ele e o deputado João Rodrigues (PSD-SC), ocorrido no último dia 28 de outubro, no plenário da Câmara Federal. Na discussão, o deputado de Santa Catarina ironizou a trajetória de Jean Wyllys e chegou a chamá-lo de “escória” do país. Jean Wyllys rebateu chamando o colega de “fascista” e “ladrão”. “Deputados ligados a Cunha estão retaliando o PSOL. Primeiro entraram com uma representação contra o Chico Alencar, agora contra mim, porque nós somos a bancada que pediu a cassação do mandato dele no Conselho de Ética”, afirmou, em entrevista ao G1.
Sobre as acusações de que teria quebrado o decoro parlamentar, Wyllys sustenta que “não disse nada que não fosse verdade”. “Vamos ver o que eu disse: primeiro, que homens decentes — como eles gostam de dizer que são — não usam a sessão plenária para assistir vídeo pornô no celular, e ele fez e foi flagrado; segundo, que homens decentes não são condenados por roubar dinheiro público, como ele foi”, disse.
O parlamentar afirmou ainda que quando João Rodrigues era prefeito de Chapecó, o deputado foi condenado a cinco anos e três meses de prisão por um tribunal federal. “E não foi o único processo contra ele. Eu não falei nada que não fosse verdade. Não temo a representação do PSD. Mas estou certo de que o parlamentar do PSD não pode dizer o mesmo em relação ao julgamento que lhe aguarda”.
Na representação, protocolada na Mesa Diretora, o PSD alega que o deputado do PSOL quebrou o decoro parlamentar por “denegrir” um colega de parlamento. “Os deputados carregam, pelo próprio cargo, uma responsabilidade institucional que não pode ser pormenorizada e denegrida de forma generalizada. É preciso agora provar quem são os ladrões apontados pelo deputado”, argumentou o presidente do PSD, Guilherme Campos.






