
O presidente Michel Temer anunciou nesta sexta-feira, 28, que o
governo federal vai liberar R$ 778 milhões, nos próximos dois meses,
para a compra de equipamentos policiais para serem distribuídos entre a
Força Nacional e os Estados. Parte do montante também deverá ser
utilizado na construção de novos presídios.
A decisão foi tomada em
encontro com representantes dos três Poderes, realizado para discutir a
elaboração do Plano Nacional de Segurança. "O Supremo já decidiu que as
verbas do Fundo Penitenciário devem ser utilizadas plenamente, ou seja,
não podem ser contingenciadas. Nós deliberamos, já para este ano, a
aplicação na área de equipamentos da polícia, seja da Força Nacional,
seja nos Estados. Já liberamos R$ 778 milhões. E o Fundo de Segurança
Pública também será utilizado para o aprimoramento e a construção de
penitenciárias", afirmou Temer.
A reunião, realizada no Ministério de
Relações Exteriores, contou com a presença dos presidentes Cármen Lúcia
(Supremo Tribunal Federal); Renan Calheiros (Senado); Rodrigo Maia
(Câmara); do procurador-geral da República, Rodrigo Janot; de
comandantes das Forças Armadas; ministros e representantes de entidades.
A ideia da cúpula do governo é estruturar um modelo de enfrentamento da
crise de segurança. Para isso, novas reuniões com a participação da
cúpula dos três Poderes deverão ocorrer a cada quatro meses para avaliar
os avanços e implantação das medidas que serão conduzidas por grupos
temáticos com a participação da Procuradoria-Geral da República (PGR),
do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério da Defesa e a
Justiça.
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, aproveitou o
encontro para dar início à discussão sobre a necessidade de ampliar
cooperação entre os entes da Federação na área de segurança. A ministra
Cármen Lúcia também sugeriu a criação de uma base de dados única para
que se possa saber a realidade prisional do crime e do delito no Brasil.
Já o ministro da Defesa, Raul Jungmann, ressaltou a necessidade de
avançar na discussão de penas alternativas para violações não dolosas.
Parte das ideias apresentadas na reunião foi colocada em documento
assinado pelos presentes no encontro. A proposta apresentada contém três
eixos prioritários: a redução de homicídios dolosos e da violência
contra a mulher; a racionalização e a modernização do sistema
penitenciário e o fortalecimento das fronteiras no combate aos crimes
transnacionais, em especial narcotráfico, tráfico de armas, contrabando e
tráfico de pessoas. Um dos caminhos defendidos pelo ministro-chefe do
Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, para tirar
do papel o projeto é o de aproveitar a experiência adquirida durante as
Olimpíadas do Rio, realizada em agosto.
Na ocasião, foi adotado um
trabalho de segurança integrado composto pelos eixos: segurança, defesa e
inteligência. "Eu digo que é uma coisa inédita, que nós conseguimos
reunir na discussão ampla que tivemos de mais de quatro horas, nós
conseguimos reunir as ideias referentes à execução, referentes à
legislação e referentes à jurisdição, ou seja, os três poderes terão uma
atuação muito significativa, muito expressiva. Faltava, digamos assim,
uma unidade ação", ressaltou Temer após o evento.






