
Dois prefeitos, um ex-prefeito, um contador e um empresário foram
presos suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha que pode ter
desviado, pelo menos, R$ 100 milhões. As prisões fazem parte de uma
operação da Polícia Civil do Maranhão com o Grupo de Atuação Especial no
Combate a Operações Criminosas do Ministério Público (Gaeco).
Para os
delegados e promotores que atuam no caso, os prefeitos de Bacuri, e de
Marajá do Sena, além do ex-prefeito e do contador da prefeitura de
Marajá do Sena e um empresário mantinham um esquema que desviava o
dinheiro de programas do Governo Federal.
Os programas voltados para
educação era um dos alvos preferidos da quadrilha. A apuração da Polícia
e do Gaeco mostram que empresas de fachada foram montadas por agiotas
em nome de laranjas para poder receber o pagamento de empréstimos feitos
a candidatos eleitos. Richard Nixon Monteiro dos Santos
(prefeito de Bacuri), Edvan Costa (prefeito de Marajá do Sena), Perachi
Roberto Moraes (ex-prefeito de Marajá do Sena), José Epitácio Muniz
Silva (contador de Marajá do Sena), e Josival Cavalcanti da Silva
(agiota, segundo a polícia) foram presos nessa semana.
Continua foragido
o ex-prefeito de Zé Doca Raimundo Nonato Sampaio. No
total, foram cumpridos 20 mandados, sendo cinco de prisão temporária,
12 de busca e apreensão e três de condução coercitiva. Com o grupo foram
apreendidos veículos de luxo, computadores e vários cheques – com
valores em branco - assinados pelos prefeitos.
Afastamento - Richard
Nixon assumiu a Prefeitura de Bacuri depois que o Tribunal de Justiça
do Maranhão decidiu afastar do cargo José Baldoíno. A Justiça maranhense
determinou a saída de Baldoíno do cargo depois de constatar fraudes na
gestão de recursos para o transporte escolar na cidade. Em
abril do ano passado, oito estudantes com idades entre 11 e 17 anos
morreram depois de a caminhonete em que seguiam para a escola bater
contra um caminhão que transportava pedras. O veículo no qual seguiam os
estudantes era contratado pela prefeitura e era dirigido por um
adolescente de 15 anos.
“Mortos-vivos” - Ainda
de acordo com a comissão de investigação, as empresas que ganhavam as
licitações e contratos com as prefeituras eram registradas em nome de
pessoas mortas. Por esta razão, o nome desta fase da investigação que
apura a agiotagem no Maranhão levou o nome de “Morta-Viva” e “Maharaja”
em função de um dos municípios lesados pelo bando ser Marajá do Sena.
Mãe e filho presos - Em
31 de março a Polícia Civil iniciou a operação “Imperador”, que
culminou com as prisões temporárias da ex-prefeita do município de Dom
Pedro, Arlene Barros, e de seu filho, Eduardo Barros, que seria o líder
do grupo. Ele se apresentou à polícia um dia depois de sua mãe ser
levada presa pela polícia. Com Eduardo foram apreendidos 24 veículos,
sendo 20, de luxo.
Morte de jornalista - As
investigações dos crime de agiotagem no Maranhão iniciaram logo após a
morte do jornalista e blogueiro, Aldenísio Décio Leite de Sá. Décio Sá
foi morto em abril de 2012 após denunciar em seu blog o envolvimento de
agiotas com prefeitos. Os agiotas eram financiadores de campanhas
políticas e recebiam o pagamento por meio de empresas fantasmas
vencedoras de licitações para prestação de serviços no município.
Piores IDH no Brasil - Marajá
do Sena é o quarta pior cidade para se viver no Brasil, segundo o
índice de desenvolvimento humano elaborado e divulgado pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Bacuri
está algumas posições acima e é a 4670ª “melhor” cidade para se morar,
de acordo com o levantamento que analisa a longevidade, educação e renda
que varia de 0 a 1. As duas cidades que tiveram seus gestores presos na operação apresentam índices de 0,452 e 0,578, respectivamente. (Terra)






